sexta-feira, março 16, 2007
Horas de espera e bibliotecárias
Espero não estar a incomodar mas a sua postura está a interessar-me e não vou desviar o olhar enquanto me apetecer, efectivamente, olhar para si. Para já apetece bastante por isso vou continuar. Tem uma forma de estar parada muito peculiar e isso, de certa forma atrai-me. Não, não a considero atraente, mas sinto me atraído pelo ar extremamente enjoado, impertinente e incompetente que apresenta. Agora estou a imaginá-la a tirar os óculos e logo a seguir, sem que se perceba o fim da primeira acção, soltar o cabelo com atitude. Agora estou a imaginar para que servem bibliotecárias inúteis. Não gosto de bibliotecárias sem óculos e de cabelos soltos, aliás odeio bibliotecárias. Já não me apetece tanto olhar para si mas sinto um desejo enorme de a intimidar por isso vou continuar a olhar. Não sinto nada. Não sinto mesmo nada. Agora tive a certeza que não estou a conseguir intimidá-la. Está, obviamente treinada para não se sentir constrangida com nenhuma situação. Aposto que todos os dias à noite, antes de dormir, àquela horinha idiota a que todas as bibliotecárias se deitam e fingem dormem, inunda a almofada de lágrimas ressequidas pela prepotência dessa aura reles. Estou a perder tempo a olhar em sua direcção tão fixa e alucinadamente mas não pense que o faço inconscientemente. Divirto-me na verdade. E agora vou andando. Corro o risco de acidentalmente despertar a sua atenção.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Bailarina que não dança
Forros estirpados
E moidos pela pele
Das pernas que se movem
Sobre aquela farda
Que não vai mais desgastar-se.
Pemaneceram para sempre gastos
Mas de história nos términos
Porque ninguém cuida do que viveu
E o os forros nem se vêem.
E moidos pela pele
Das pernas que se movem
Sobre aquela farda
Que não vai mais desgastar-se.
Pemaneceram para sempre gastos
Mas de história nos términos
Porque ninguém cuida do que viveu
E o os forros nem se vêem.
domingo, janeiro 28, 2007
O desespero veste vermelho
Este filme vai com certeza ganhar uma boa parte dos oscar's para os quais está nomeado e se não ganhar pelo menos já marcou só pelas nomeações. É bom, já muitos o disseram, é dos melhores que já vi, tenho que o confessar. A articulação de todas as histórias, cenários, sentimentos e a dimensão tão genial em que coexistem sem se tocarem é deslumbrante.A história desta criada é de todas a melhor. É também a melhor interpretação? Talvez não, mas tem qualquer coisa de superior. A vontade de saltar para o ecrã e ajudar a mulher de vermelho a procurar os dois pigmeus perdidos naquele terreno árido e sem referências é inevitável.
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Dias de morte
O melodrama inconsciente da sociedade em movimento cíclico constante arrasa a lente do filósofo. Quadrados de gente, que só páram para decidir qual o centro comercial por onde vão desfilar hoje. Revolução emocional no cerne, aparentemente inatingível, das hortas de razões que agora também sentem. Como se fumarão os cigarros de amanhã se os de hoje se fumam assim?
domingo, dezembro 24, 2006
Cripple Crow Family- Made in England
Isto é que foi uma verdadeira surpresa. Estes tipos são um verdadeiro charme inglês a começar na capa e a acabar em qulquer track. Fíca como sugestão para aquela prenda que falta comprar até porque no dia 24 de certeza que toda a gente anda de blog em blog à caça deste tipo de sugestão tão relevante.
By Devendra Barnhart
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Ruas Frias
Dignas ruas de pedra pesada
Sem ângulo para louvar fachada
Poucos astros passam em fada
E os que passam nunca folgam.
O sol que não é astro de estrada
Não cuida da diurna espada
Que corta meio cruzada
A face interna da lombada
Da esfera prismada
Que fixa a roda entalada
E faz descer os que se encontram.
Sem ângulo para louvar fachada
Poucos astros passam em fada
E os que passam nunca folgam.
O sol que não é astro de estrada
Não cuida da diurna espada
Que corta meio cruzada
A face interna da lombada
Da esfera prismada
Que fixa a roda entalada
E faz descer os que se encontram.
R.Noga
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Tentem agora o flutuante!

15/20
É uma delícia. Anda ali no limite entre o experimental e o familiar. Esqueço-me facilmente de estar a ouvir música de um desses aparelhos reprodutores do quotidiano e sinto-me em ambiente de taberna onde a um canto está um grupo de gajos bêbados de morte enquanto ao balcão conversam os empregados do bar que se recusam a aceitar um pedido que seja a mais para aquela mesa e porque as outras mesas não costumam consumir, vêm ali passar droga.
A forma como o album cria imagens é, embora um pouco mais pobre e servindo-se de muito mais bengalas, semelhante à de Ricky Lee Jones no seu debut de 1979.
É sem dúvida criativo. Eu cruzava estes gajos com o Rodrigo Leão esperando um arranjo melódico a meio caminho entre o desarrumado e o harmonioso. Fico à espera.
Aconselho aos fãs de Alanis no seu tempo de Jagged a Little Pill e Supposed Former Infatuation Junkie.
domingo, dezembro 10, 2006
BOM DIA
Este bom dia pode até ser lido por meio mundo mas é só para ti.
Porque eu decidi que era só para ti..
Porque eu decidi que era só para ti..
terça-feira, novembro 28, 2006
Gosto cada vez mais deste gajo

http://www.youtube.com/watch?v=cBmeQwQ9SQ0
E desculpem a minha falta de potencial intuitivo para estas coisas da informática. Qualquer idiota conseguiria pôr o video a tocar no próprio blog. Fica o link e uma imagem ranhosa.
terça-feira, novembro 07, 2006
Pelintras
O homem viu-nos a travessar a rua de bata. O é que estavamos a fazer nós, pelintras, que nem o uniforme sabemos honrar? É que quer queiramos quer não há um estatuto e um papel a cumprir e manter nesta sociedade que nos coloca em divino pedestral. Quem diz usar a bata na rua diz usar as fraldas da camisa de fora ou uma gravata pirosa ou até mesmo uns jeans. Ser médico, pelos vistos não é só cuidar, tratar..há obrigações sim e passam por vestir a rigor, não usar mochila, ter uma belíssima máquina de uma ilustre marca que tem um último modelo top e tratar mal as enfermeiras. Se é para ser médico então que seja a sério que essa treta de de dar consultas em polo ou t-shirt é para psicólogos e videntes.
Há uma série de regras e convenções nas entrelinhas que devem, concerteza ter-me passado ao lado, Senhor Doutor!
Obrigado pelo esclarecimento dirigido de uma forma tão educada e valiosa e que eleva aos céus a boa fama de um ortopedista.
Não me canso, obrigado!
Há uma série de regras e convenções nas entrelinhas que devem, concerteza ter-me passado ao lado, Senhor Doutor!
Obrigado pelo esclarecimento dirigido de uma forma tão educada e valiosa e que eleva aos céus a boa fama de um ortopedista.
Não me canso, obrigado!
quinta-feira, outubro 26, 2006
Febres
Na passagem pontual por um momento de vida desses que andam por aí encontram-se pensamentos que se partilham e se choram por falta de mimo. Pensamentos que fazem lembrar qualquer coisa que anda perdida em campos e matos e que um dia foi quente. Sou capaz até de aceitar passivamente uma leve febre de um tempo que vem e se desfaz mas febre que nos transpira e nos molha quando vento passa doi.
É que fazes-me falta.
É que fazes-me falta.
quinta-feira, outubro 05, 2006
quarta-feira, julho 26, 2006
Caixa do Correio
Já não me lembrava de chorar assim. Esperei alguns minutos à porta para não dar o ar de arruinado e perdido. Perdi a cabeça e entrei. Estava um homem sentado descontraidamente, acho que é possível estar sentado assim, ao fundo da sala. A sala além da cadeira e da secretária do homem tinha um monobengaleiro onde estava pendurado um saco de plástico de minimercado com um pacote de bolachas a espreitar por um pequeno buraco. Dirigi-me a ele como quem caminha numa divisão de um berçário de bebés naquela idade em que acordam por tudo e por nada e falei-lhe em surdina. Depois de ele me responder despedi-me e voltei-me violentamente para a entrada, que agora era saída. Caminhei brusca, pesada e sonantemente. Acordei todos os bebés do berçário. O pacote de bolachas rasgou definitivamente o saco e caiu. Saí.
terça-feira, julho 11, 2006
Liz Frasier
quarta-feira, julho 05, 2006
Entrevista a José Eduardo Moniz (JEM):
Jornalista: O que espera do confronto das meias finais, Portugal- França?
JEM: Espero que se resolva nos primeiros 90 minutos por duas razões: para que a equipa não se canse muito, a pensar em Berlim, e para não prejudicar as audiências da tvi.
Jornalista: O que espera do confronto das meias finais, Portugal- França?
JEM: Espero que se resolva nos primeiros 90 minutos por duas razões: para que a equipa não se canse muito, a pensar em Berlim, e para não prejudicar as audiências da tvi.
tvi, 5 de Julho 2006, 13.24
terça-feira, julho 04, 2006
sábado, junho 24, 2006
segunda-feira, junho 19, 2006
0 seven
14/20

Talvez o pior dos 3 mas não deixa por isso de ser muito bom. Começaram a receber os convidados na sala mas a música ainda não se ouve na cozinha. Faz lembrar um pouco os nossos Mesa, nem sei bem porquê! Álem de leve é muito porreiro que é quase dizer que é um pouco mais ligeiro mas não é ligeiro! As vozes aqui são fundamentais e dão-lhe um remate personalizado que agora lembra os meus queridíssimos Hooverphonic (que a propósito não estão a vender lá muito bem, vejam lá o que compram). Um disco vespertino muito cuidado e mimado. Perdeu o fio condutor dos anteriores para ganhar como factor de união um ambiente muito fiel ao longo de toda a escuta.
Cheira muito bem e a capa é linda de morrer!
Gostem dele que não se vão arrepender, certamente.

Talvez o pior dos 3 mas não deixa por isso de ser muito bom. Começaram a receber os convidados na sala mas a música ainda não se ouve na cozinha. Faz lembrar um pouco os nossos Mesa, nem sei bem porquê! Álem de leve é muito porreiro que é quase dizer que é um pouco mais ligeiro mas não é ligeiro! As vozes aqui são fundamentais e dão-lhe um remate personalizado que agora lembra os meus queridíssimos Hooverphonic (que a propósito não estão a vender lá muito bem, vejam lá o que compram). Um disco vespertino muito cuidado e mimado. Perdeu o fio condutor dos anteriores para ganhar como factor de união um ambiente muito fiel ao longo de toda a escuta.
Cheira muito bem e a capa é linda de morrer!
Gostem dele que não se vão arrepender, certamente.
sábado, junho 17, 2006
Meeting Point
Emfim descobrimos os verdadeiros meninos gordos. A tua família ao alcance de um click.
sábado, junho 10, 2006
Comunicado "Dia de Portugal"
O meu comunicado é dirigido a criaturas que eu não conheço e por enquanto também não desejo conhecer. Está organizado em forma de pedidos explícitos que remetem para acções direccionadas, mas de uma forma menos delicada, para ver se nos entendemos:1) Começo por pedir ao idiota que enfiou uma bolacha no meio do "O" do posto do Ministério das Finanças que a retire e que limpe aquela merda. E se entretanto se esqueceu eu lembro-lhe que é na rua acima do Teatro Rivoli e o Teatro Rivoli, já agora, é aquele da praça do Palácio Altântico em frente à antiga Tubitec.
2)Sigo para a besta que anda a assinar no interior das paragens de metro. Filhote, ja todos sabemos que sabes escrever agora só te falta provar que és capaz de não escrever na parede.
3)O terceiro pedido: antes de entrarem numa rotunda, por favor vejam se não vem nenhum carro da esquerda.
4) O quarto é um apelo a esses seres tão distintos da nossa reles sociedade, os médicos que dão uns bafos nos corredores do Hospital Geral de Santo António. Oh pá, não me fumem nos corredores dos hospitais.
5) O quinto pedido vai para os arquitectos que constroem piscinas em avenidas principais. Aquele tanque no meio da Avenida dos Aliados não tarda muito a tornar-se um depósito-de-cegos-e-criancinhas! Ao imbecil que concebeu aquilo, os meus parabéns pela genialidade da armadilha, e já agora pela beleza insólita da restante nova avenida.
6) Este pedido vai para os porteiros ou (mais chic) os seguranças de certas instituições e institutos. Sejam mais fofos. Eu sei que é duro o vosso dia-a-dia mas a simpatia não cansa muito.
7) O último pedido destina-se aos meus vizinhos que riscam com as chaves de casa e do carro as paredes do elevador e também aos que furam os botões. Não façam isso que é feio.
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